Ideias para aumentar a interação no ensino remoto

Guilherme Desiderio – 11 de agosto de 2020

Por conta da pandemia do novo coronavírus, educadores de todo o país se depararam com um desafio imposto por suas redes: promover a aprendizagem de crianças e adolescentes de forma remota. O contexto dos nossos estudantes é extremamente diverso e sabemos do esforço que muitas professoras e professores têm feito para levar uma educação com um mínimo de qualidade para seus alunos. Comigo não foi diferente. Como professor de matemática do 9º ano em uma escola estadual de São Paulo, acabei me adaptando a esse “novo normal”, apesar das suas contradições e adversidades.

Este texto não tem o objetivo de apresentar uma ferramenta ou solução milagrosa. Acredito que as crianças aprendem no coletivo, a partir da interação com colegas, com o professor e com o ambiente a sua volta. Para mim, nada substitui as experiências em sala de aula e a escola. Em linha com estes princípios, quero compartilhar algumas vivências pessoais e outras ideias interessantes que encontrei por aí que reforçam a importância da promoção da equidade na educação, mesmo quando interagimos à distância. 

O foco das experiências e estratégias aqui relatadas estão voltadas para situações de aprendizagem síncronas, nas quais estudantes e professor estão conectados ao mesmo tempo em alguma plataforma de videoconferência, como Zoom e Google Meet.

Este texto não tem o objetivo de apresentar uma ferramenta ou solução milagrosa. Acredito que as crianças aprendem no coletivo, a partir da interação com colegas, com o professor e com o ambiente a sua volta. Para mim, nada substitui as experiências em sala de aula e a escola. Em linha com estes princípios, quero compartilhar algumas vivências pessoais e outras ideias interessantes que encontrei por aí que reforçam a importância da promoção da equidade na educação, mesmo quando interagimos à distância. 

O foco das experiências e estratégias aqui relatadas estão voltadas para situações de aprendizagem síncronas, nas quais estudantes e professor estão conectados ao mesmo tempo em alguma plataforma de videoconferência, como Zoom e Google Meet.

Criando e mantendo uma comunidade de aprendizagem

  • No mundo online a interação se dá de forma diferente de quando estamos reunidos presencialmente. Por isso, aprendi que é muito importante recombinar algumas normas e expectativas para que os estudantes estejam presentes, engajados e se sintam seguros. Você pode preparar antecipadamente um conjunto de normas para compartilhar com seus alunos ou co-criar com eles as normas e expectativas para a interação online. Um exemplo de expectativa que compartilhei com a minha turma, e que tem sido importante para os encontros remotos, foi dos alunos sempre compartilharem seus pensamentos e soluções durante a aula, seja no chat ou no microfone.

  • Aprendi que a duração de uma aula online deve ser menor que de uma aula presencial e, por conta disso, é necessário replanejar as aulas priorizando os conhecimentos e habilidades fundamentais de cada ano. Reuniões e aulas online consomem mais da nossa energia – e isso também diminui o escopo e/ou a profundidade das discussões.

  • Aprendi que se para nós nem sempre é fácil lidar com o distanciamento social, para nossos alunos é ainda mais difícil. Nesse sentido, é importante que os estudantes se sintam acolhidos neste momento extremamente difícil e percebam o quanto nós, professores, nos importamos com eles. Criar uma rotina para verificar regularmente como os alunos estão é uma ótima estratégia. Alguns exemplos que já usei ou conheci nas minhas buscas são:

– Começar a aula com uma pergunta geral para os alunos responderem sobre como estão se sentindo.

– Pedir para os alunos escolherem um tópico para compartilhar sobre, no microfone ou no chat, como algo que você está animado, preocupado, ansioso, que você fez recentemente ou que você está pensando.

– Fazer uma enquete usando uma plataforma, como Mentimeter, PollEverywhere ou o próprio Zoom (na versão premium).

– Fazer um jogo usando uma plataforma como o Kahoot.

  • Buscando promover a participação dos alunos, aprendi como é potente reservar o momento de retomada de conceitos e ideias principais que foram discutidos em aulas anteriores para que seja realizado por um dos alunos. Você pode combinar com eles quem irá abrir a próxima aula apresentando um resumo do que foi trabalhado no encontro anterior – e o aluno pode se organizar para isso da forma que quiser, seja criando seus próprios slides ou apenas apresentado oralmente. É importante que você se disponha a auxiliá-lo no processo, se for necessário, para que ele se sinta mais seguro.

Aumentando a interação e a colaboração na aula

  • Mesmo interagindo de forma remota, alguns colegas professores têm implementado atividades em pequenos grupos com seus alunos. A ideia é aproveitar o tempo em que todos estão conectados para que os alunos possam falar e interagir para resolver um problema de forma colaborativa. O Zoom permite dividir os alunos em grupos menores pela própria plataforma e é possível fazer arranjos semelhantes com o Google Meet (nesse caso, é preciso criar várias chamadas simultâneas e atribuir os alunos para cada chamada). Reconheço que essa proposta é bastante desafiadora. Certamente os estudantes precisarão de tempo e de mais de uma oportunidade de trabalhar em grupo para se sentirem à vontade para discutir e/ou resolver um problema através da tela do computador/celular, sem a supervisão constante e direta do professor.
  • Aprendi que quanto mais os alunos souberem que deverão fazer contribuições durante o encontro síncrono, mais eles estarão motivados a participar e a acompanhar a aula. Dessa forma, tenho usado algumas estratégias para conseguir aumentar a participação nos encontros:

– Quando os estudantes têm microfone e conseguem usá-lo, peço para que eles respondam e falem com toda a turma. Às vezes eles compartilham a resolução de um problema e, nesses momentos, registro o seu raciocínio na nossa “lousa digital” enquanto falam.

– Alguns estudantes preferem ou só conseguem se comunicar pelo chat. Por conta disso, procuro ter momentos em que todos respondem a alguma pergunta por escrito. Quando leio as contribuições no chat em voz alta, referencio cada comentário ao respectivo aluno para que a turma saiba que estou prestando atenção e que todos nós estamos realmente “juntos” nessa. Vale destacar que no Zoom é possível que a mensagem seja enviada somente ao professor, de modo privado, o que me permite interagir individualmente com cada aluno durante a resolução de um problema. 

– Uma outra forma de ouvir e receber as contribuições dos alunos, ou mesmo para acompanhar como os alunos estão pensando, é usando enquetes. Utilizo o próprio Zoom (na versão premium) para que os alunos não tenham que entrar em outro aplicativo ou plataforma. Mas outras ferramentas como Mentimeter e PollEverywhere também permitem coletar as respostas dos alunos de uma forma muito prática.

– Essa estratégia eu ainda não utilizei, mas sei de professores que têm usado plataformas como Jamboard, Awwapp ou outra “lousa digital” para os alunos escreverem eles mesmos suas soluções enquanto compartilham com toda a turma. Um modo alternativo de trazer a solução dos alunos para o centro da aula é pedindo que eles filmem suas próprias anotações no caderno com a câmera do celular ou tirem fotos e enviem para o professor (que pode abrir e compartilhar).

  • Aprendi que independentemente da estratégia ou das atividades propostas para a aula, tem sido muito importante monitorar quem está e não está participando (por áudio ou por chat). Garantir que todos os estudantes participem ao menos uma vez da aula, seja para ler um slide ou responder algo no chat, é muito relevante para que eles percebam que são importantes para o andamento do encontro. Vale observar que devemos sempre ter cuidado para não expor ou constranger um aluno, já que muitas vezes desconhecemos as condições que estão impedindo a sua participação mais ativa nessa aula.

FeRRAMENTAS QUE TAMBÉM PODEM SER UTILIZADAS ONLINE

  • Tive a oportunidade de conhecer e interagir com alguns aplicativos antes da pandemia que parecem interessantes de serem aproveitados nesse momento de ensino remoto. Em geral, essas ferramentas funcionam como “lousas online” ou espaços de produção colaborativa, que permitem que os estudantes trabalhem simultaneamente em uma atividade durante a aula. Algumas são especialmente interessantes por não exigirem que os estudantes tenham uma conta ou precisem fazer login – o que facilita muito o seu uso e acesso. No meu contexto, particularmente, ainda não as utilizei. A maioria dos estudantes possuem apenas celular (alguns não possuem celular próprio e utilizam o aparelho do responsável para estudar), o que limita o trabalho simultâneo com diferentes aplicativos e plataformas nos nossos encontros.

PADLET

Essa ferramenta permite que os alunos publiquem suas ideias em um mural virtual e comentem as postagens uns dos outros. O professor pode criar um Padlet para que os alunos respondam a alguma pergunta central, sintetizem ideias e conclusões de uma discussão, representem conceitos, organizem informações, entre muitas outras possibilidades.

GOOGLE DOCS

Nesse documento de texto virtual, estudantes podem trabalhar colaborativamente quando a tarefa envolve ler pequenos textos, responder perguntas e sistematizar achados de pesquisas. Por exemplo, o professor pode organizar um quadro com duas colunas: uma apresenta as perguntas sobre o tópico ou conceito trabalhado e a outra deve ser preenchida pelos alunos, em grupo, com suas respostas.

AWW APP

Essa lousa digital possui uma área de trabalho sem limitações (ao contrário de um slide ou da Jamboard), além de conter ferramentas de desenho, formas geométricas e texto, e permitir o upload de imagens e arquivos PDF. O professor pode acompanhar em tempo real os alunos trabalhando em grupo na resolução de um problema de matemática, por exemplo, e utilizar as produções dos próprios estudantes na correção e sistematização da atividade.

GOOGLE JAMBOARD

Essa lousa digital do Google, apesar de ter menos recursos que outros aplicativos, é bem funcional e prática de se  navegar. Nela, é possível escrever livremente, inserir anotações e imagens. Da mesma forma que em outros aplicativos, é possível utilizá-la tanto para que os alunos montem apresentações, mapas mentais e outros esquemas visuais, quanto para que eles resolvam coletivamente um problema.

GOOGLE SLIDES

Semelhante às apresentações de PowerPoint, a ferramenta de slides do Google também pode ser utilizada para que os estudantes trabalhem de forma colaborativa. Por exemplo, os alunos podem ficar responsáveis por pesquisar sobre um tópico ou conceito e organizar as informações encontradas em uma apresentação convincente e visualmente atraente, combinando diferentes tipos de mídias.

GOOGLE DRAWINGS

É uma ferramenta interessante que permite a criação de formas, esquemas, diagramas e fluxogramas de forma colaborativa. Ela pode ser utilizada, por exemplo, na elaboração de mapas mentais, em que os alunos são instigados a pensar sobre como os principais conceitos de uma unidade ou aula se relacionam.

Quando falam que o mundo não será mais o mesmo após a pandemia, me pergunto o que podemos esperar de transformação na educação. O ensino remoto tem nos mostrado como os professores são essenciais na mediação do processo de ensino e aprendizagem, e como as escolas são centrais na organização da vida de muitas famílias e comunidades. Espero que essas experiências todas nos fortaleçam para continuar trabalhando por uma educação equitativa, inclusiva e de qualidade.